Sapatos para as Pessoas com Diabetes

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Fonte: Revista Viver em Equilíbrio nº 48 – APDP
Notícia publicada em: 23.01.2013
Autor: Rui Oliveira, Enfermeiro da APDP, Renata Pizarro, Podóloga da APDP

O calçado começou historicamente por ser algo essencialmente útil para o deslocamento e proteção do pé, tornou-se um acessório de moda, importante na afirmação social e, recentemente, é um misto de ambos.Infelizmente, quando por alguma situação específica procuramos sapatos para uma boa proteção dos pés não os encontramos com facilidade, tal é a influência da moda. Todos nós conhecemos o incômodo de ter uma meia enrugada, a dor provocada por uma pedra dentro do sapato, ou por um sapato apertado, que piora com o aparecimento de calos.

E se pudéssemos simplesmente desligar todas essas sensações incômodas, todas essas dores?

Poderíamos passar a andar com os sapatos que estão sempre na moda, caminhar na areia quente da praia sem dar saltinhos, molhar os pés no inverno sem sentir incômodo, etc. Mas podíamos fazer ainda muito mais, como por exemplo andar descalços na rua, pisar em pedras afiadas, espetar pregos no pé,queimar os pés numa fogueira, deixar uma ferida que não sabemos que temos infectar e deixar essa infecção aumentar e atingir proporções desastrosas. Esta é a realidade de muitas pessoas que após alguns Sapatos para as Pessoas com Diabetes anos de evolução do diabetes perdem a sensibilidade nos pés – a sensibilidade “protetora”. O Diabetes retira a sensibilidade dos pés e as pessoas podem deixar de sentir dor, ou pelo menos sentí-la de forma diminuída. Para além da falta de sensibilidade, o Diabetes pode provocar alterações nos pés e pernas levando à necessidade de calçado que os proteja e proporcione conforto.

Mas os sapatos são a principal causa dos traumatismos nos pés das pessoas que têm diabetes. É, por isso, muito importante escolher corretamente os sapatos.

A História do Calçado

A proteção dos pés é algo que acompanha toda a história da humanidade. Ao adquirir uma

posição bípede, ou seja, ao passar a apoiar-se durante a sua marcha em apenas dois membros, o ser humano desenvolveu a sua locomoção necessitando cuidar e proteger os seus pés, face às agressões advindas da marcha (calor, frio, diferentes terrenos e ambientes).

Encontram-se inscrições egípcias, chinesas e de outras civilizações que evidenciam o uso

de algum tipo de calçado há mais de 5.000 anos. As sandálias egípcias são talvez a confirmação dos primeiros materiais a ser usados, confeccionados com cordas trançadas de cânhamo, de capim com gramíneas e juncos.

Na Mesopotâmia há registros que revelam o uso de sapatos feitos em couro cru. No período da Idade Média, com a mistura de povos e o desenvolvimento do comércio, assiste-se a uma renovação de materiais e modelos. No Séc.V as tribos germânicas introduzem na Gália o conceito do calçado fechado. Usavam materiais como couro de ovelha e cabra, seda, linho, bordados com fio de prata e ouro, missangas e peças de joalheria. A partir do Séc.XI o uso do sapato alargou–se, tendo surgido na segunda metade deste século as botinas em couro macio. Os pobres fabricavam o seu próprio calçado – sapatos e botas, usando peles de animais. Até o Séc.XV os sapatos de bico comprido foram valorizados, demonstrando a importância da pessoa na escala social.

No Séc. XVI, o estilo e a forma ganham importância e surgem variações de modelos de calçado feminino e masculino, apareceu o salto no calçado, com o objetivo de elevar a estatura do indivíduo e revelar a sua classe social que era entretanto determinada pela altura do salto e não como nos séculos anteriores, pelo comprimento do bico. No Séc.XX, a história do calçado mostra a sua estreita relação com a história da humanidade. As duas guerras mundiais, os períodos de expansão econômica ou de depressão, o advento do cinema, a rebeldia dos jovens, foram movimentos que marcaram o calçado no que diz respeito aos tipos de modelos, cores, formas e materiais usados na sua fabricação.

O calçado reflete um determinado momento histórico vivido por uma sociedade.

A Importância do Calçado

O calçado assume papel importante na cura e na prevenção de lesões e deformações, na exposição do pé a diferentes relevos e ambientes quentes e frios. À medida que foi evoluindo, ganhou um significado ligado ao status de quem o calça, tendo ainda hoje essa simbologia na nossa sociedade. Mas os avanços científicos e tecnológicos levaram a um estudo mais aprofundado dos materiais e das formas ideais do calçado. Hoje em dia já é possível construir e adaptar, estudar de acordo com o estudo de tipos de marcha, de pressões plantares, do peso, etc., podem-se construir sapatos diferentes, com materiais diversos.

Tendo em conta que o calçado assume um papel importante no que diz respeito à proteção eficaz do pé no seu posicionamento, distribuição das pressões causadas pelo peso do corpo, correção das deformações reversíveis e proteção das irreversíveis, a escolha do calçado adequado é de extrema importância.

Para uma pessoa com a sensibilidade diminuída, como acontece após alguns anos de diabetes, o calçado deve principalmente ser largo para não apertar o pé, mas os cuidados com o calçado não se restringem à forma do sapato.

Deverão existir também cuidados especiais na sua manutenção e no correto manuseio e uso.

Características do Sapato Ideal

Sapato fechado, com biqueira larga, alta e arredondada, evitando atrito com o dorso dos dedos e posicionamentos viciosos que contribuam para unhas encravadas, bolhas e calosidades;

  • Deverá ser possível movimentar os dedos dentro do sapato;
  • Sem costuras internas, especificamente na zona que vai envolver os dedos e locais de proeminências ósseas, evitando zonas de fricção;
  • Confeccionados em pele natural, para evitar o sobreaquecimento e a acumulação de umidade, principalmente entre os dedos, facilitando a maceração da pele e a proliferação de fungos e bactérias:
  • Com cordões ou tiras de vélcro, permitindo a distensão e ajuste ao longo do dia em situações de inchaço;
  • Sola semi-rígida, de material anti-derrapante, borracha ou poliuretano) absorvendo os choques do pé contra o solo;
  • A base do sapato com largura correspondente a do pé;
  • O salto não deverá ser superior a 2 cm nos homens e a 4 cm nas mulheres e a sola deve assentar toda no chão;
  • O calcanhar com contraforte e rebordos que acompanhem mas não que cubram os tornozelos e o tendão de aquiles;
  • O bordo de abertura do sapato deve ser almofadado;
  • A caixa deve ser alta e ampla de forma a que os dedos não fiquem apertados, mas também não demasiado larga para que os dedos não deslizem permanentemente dentro do sapato;
  • No caso de já existirem deformações, os sapatos deverão ter uma profundidade que permita colocar palmilhas adaptadas, orteses de silicone (pequenas peças em silicone que compensam as deformações dos dedos) ou fazer alterações personalizadas de acordo com as deformações (joanetes, dedos em garra, etc.);

Cuidados na Compra, Uso e Manutenção

  • Comprar calçado confortável. Compre de preferência ao final do dia quando o pé se encontra com seu maior volume ou com edema;
  • Deverá experimentar o sapato em pé, caminhando um pouco;
  • Quando os sapatos são novos, nos primeiros dias não efetuar caminhadas longas;
  • Inspecionar diariamente os sapatos, usando sempre com meias 100% algodão, podendo ser de pura lã (apenas no Inverno);
  • Sacudir antes de os calçar, colocando as mãos no seu interior procurando objetos;
  • Arejar sempre o sapato depois de o calçar e estar alerta para as zonas de desgaste que surjam e que poderão levar a posicionamentos viciosos dando origem a lesões, sabendo que é normal o calcanhar desgastar do lado lateral externo e a planta gastar uniformemente.
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