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A importância da Anamnese na consulta à pacientes Diabéticos.
Muitos pacientes com D.M. tipo 2 não sabem que tem a doença, portanto, o cirurgião dentista deve sempre estar atento para suspeitar dos casos não diagnosticados.
O paciente que sabe ser portador de D.M. deve informar o tipo de diabetes, o tratamento que está sendo empregado, o nível de controle metabólico e a presença de complicações secundárias da doença.
Na anamnese, o paciente deve sempre ser questionado especificamente sobre a duração da doença, histórico de hipoglicemias, e de hospitalização pós cetoacidose e modificações no regime terapêutico (SONIS: FAZIO: FANG, 1996).
Munroe (1983) relatou a importância do cirurgião dentista como um agente de saúde, visto que no cuidado com a anamnese alguns sinais e sintomas físicos podem ser indicadores do D.M. cabendo ao profissional, assim que houver a suspeita, encaminhar este paciente para atendimento médico.
Estas recomendações também são sugeridas por SONIS; FAZIO; FANG (1996), que acrescentam, ainda, a importância na redução do estresse, instruções sobre a dieta e redução do risco de infecção para contribuir no controle do tratamento.
O cirurgião dentista tem grande responsabilidade quanto ao bem estar físico e psicológico do paciente portador de D.M., sendo a comunicação com o médico que atende este paciente essencial para o sucesso do tratamento. Deve ser levado em consideração também, a importância dos glicosímetros no atendimento, para a verificação dos níveis de glicemia no momento da consulta, possibilitando melhor controle, assim como conhecer as medicações aintidiabetogênicas e seus efeitos farmacodinâmicos. Os pacientes portadores de D.M. representam um grupo especial, o que requer atenção e a aplicação de medidas preventivas, curativas e terapêuticas específicas, pois os sintomas apresentados podem influenciar no tratamento odontológico adequado, principalmente no momento do exame pré-operatório, sendo extremamente importante à prevenção de infecções e dos distúrbios metabólicos durante as consultas (GREGORI ; COSTA ; CAMPOS, 1999).
O cirurgião-dentista deve estar preparado no que tange a materiais específicos no atendimento destes pacientes, como glicosímetro, fitas reagentes, lancetas (para checar a glicemia capilar antes da consulta ou durante a mesma, caso se suspeite de hipoglicemia ou hiperglicemia), esfignomanômetro, soluções contendo glicose a 20%, insulina regular e seringas descartáveis para insulina, para um atendimento mais seguro (BARCELLOS FILHO; HALFON; OLIVEIRA, 2000; GREGORI; COSTA; CAMPOS, 1999).
Nas consultas eletivas, é útil que se peça ao médico responsável pelo paciente, um relatório do estado de saúde geral do paciente, enquanto nas consultas de emergência, pode ser necessário um contato telefônico com o mesmo. Deve-se lembrar sempre, que muitas vezes, o problema dentário é a causa de descompensação do D.M. e que seu tratamento pode ser a única maneira de restaurar o controle metabólico (BARCELLOS FILHO; HALFON; OLIVEIRA, 2000).
Pacientes bem controlados, sem complicações crônicas, com boa higiene bucal e acompanhamento médico regular podem ser tratados sem necessidade de cuidados especiais, uma vez que eles respondem de forma favorável e da mesma forma que pacientes que não tenham D.M. Pacientes com glicemia em jejum, acima de 230 mg/dl, tem um aumento de 80% no risco de desenvolver infecção (SOUZA et al 2003).
Barcellos Filho, Halfon e Oliveira (2000) sugerem sempre a solicitação de exames complementares, como: glicemia de jejum, hemoglobina glicada, hemograma completo, coagulograma completo, teste de triglicérides e colesterol, além de uma radiografia panorâmica para verificar possíveis infecções dentárias assintomáticas. Somente após estas condutas o cirurgião dentista poderá iniciar o tratamento odontológico com segurança.
A crise hiperglicêmica pode ocorrer durante o atendimento odontológico, sendo normalmente limitada aos pacientes insulino dependentes, independente do tipo de D.M. diagnosticado. A elevação prolongada da glicose sanguínea pode causar uma acidose metabólica, que pode levar ao coma, quando não tratado. A crise hipoglicêmica é mais comum de ocorrer no consultório odontológico.
O cirurgião dentista deve conhecer bem os sinais e sintomas de hipoglicemia: taquicardia, palpitação, sudorese, tremor, náuseas e fome. Se essa hipoglicemia não for diagnosticada e tratada em tempo, pode levar à sérios problemas como o coma e consequentemente a morte (LAUDA ; SILVEIRA ; GUIMARÃES, 1998).
A anamnese deve conter alguns questionamentos básicos que possam orientar o C.D. a suspeitar da presença da D.M.
Bibliografia:
BARCELLOS FILHO, L.; HALFON, V. L. C.; OLIVEIRA, L. F.: Conduta odontológica em paciente diabético. Rev. Brás. Odontol. v.57, n.56, p407-410 nov - dez 2000
GREGORI, C.; COSTA, A. A; CAMPOS, A. C.: O paciente com Diabete Melito, RPG, Revista Pós Grad. v.6, n.2, p166-174, abr./jun. 1999;
LAUDA, P. A.; SILVEIRA, B. L.; GUIMARÃES, M. B. Manejo odontológico do paciente diabético. J. Brás. Odontol. Clín., Curitiba, v. 2, n. 9, p. 81-87, maio/jun. 1998;
MONROE C. O. The dental patient and diabetes mellitus. Dent. Clin. North Am. V. 27, n. 2 p. 329-340, 1983;
SONIS, S. T.; FAZIO, R. C.; FANG, L. Princípios a prática de medicina oral. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996.491p.;
SOUSA, R. R.; CASTRO, R. D.; MONTEIRO, C. H.; SILVA, S. C.; NUNES, A. B.: O paciente odontológico portador de diabetes mellitus. Pesq Brás. Odontopediatr. Cln. Integr., João Pessoa, v. 3, p. 71-77, 2003;
Dra Patricia Cassino
Cirurgiã-Dentista DOANAD