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ADA: Rosiglitazona aumenta risco de insuficiência cardíaca,
Fonte: Revisado pelo Prof. Dr. Robert Jasmer da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia
Notícia publicada em: 29.01.2009
Autor: Escrito por kristina Fiore, MedPage Today


ADA: Rosiglitazona aumenta risco de insuficiência cardíaca,

mas não aumenta mortalidade

NEW ORLEANS, EUA, 5 de junho de 2009: Os resultados finais da pesquisa clínica RECORD, não apresentaram aumento nem na morbidade cardiovascular total, nem na mortalidade associada ao uso da rosiglitazona (Avandia).

Entretanto,    o Prof. Dr. Philip D. Home, da Universidade de Newcastle na Inglaterra, presidente do comitê do estudo RECORD, observou o dobro do risco para problemas cardíacos e um risco aumentado para fratura distal em mulheres.

“Não tivemos evidências suficientes para concluir associações entre o infarto do miocárdio e a droga”, afirmou o Dr. Philip.

"A resposta de insuficiência cardíaca não sofreu alterações”, disse o médico, fazendo referência aos resultados ínterim da pesquisa clínica que foram divulgados há 2 anos. “Confirmamos haver um aumento na insuficiência cardíaca – o dobro com rosiglitazona em comparação ao grupo do controle."

Ação: 

  • Explicar que os resultados finais da pesquisa clínica RECORD descobriram que há o dobro de risco de insuficiência cardíaca associado ao uso de rosiglitazona, mas que não há aumento na mortalidade cardiovascular total.
  • Observar que as descobertas referentes ao infarto do miocárdio contradizem aquelas da meta-análise publicada há 2 anos pelo periódico “New England Journal of Medicine “ que tinham efeitos profundos no uso da droga na prática clínica.

"Em termos de risco cardiovascular total a droga é segura”, afirmou o Dr. Home  que observou uma taxa de risco de um entre os dois grupos de estudo. “Não há risco aumentado, nem há risco diminuído, e isto inclui o elemento de insuficiência cardíaca”. Entretanto, os críticos foram rápidos em observar a falta de força estatística em sua publicação online no “The Lancet”.

"Por ocasião da publicação da análise ínterim feita em 2007, aproximadamente 30% dos pacientes da pesquisa, originalmente designados para receberem rosiglitazona, não estavam mais tomando a droga," afirmou o Dr. E. Nissen, da Clínica de Cleveland, que publicou uma meta-análise no “New England Journal of Medicine” que descobriu um risco aumentado de 43% para o infarto do miocárdio associado à droga.

"No manuscrito do “The Lancet” os autores não revelam o número de pacientes que ainda estavam tomando Avandia no final do estudo. É claro que é impossível acessar a segurança de uma droga quando os pacientes não estão mais tomando o medicamento”.

O Dr. Home afirmou que a pesquisa não apresentou força estatística porque a taxa do evento primário total dos pacientes foi substancialmente mais baixa do que o previsto pelos cálculos iniciais.

O Dr. Nissen também afirmou que ainda não está definido se a rosiglitazona está associada ao risco aumentado para infarto do miocárdio.

O estudo descobriu um aumento de 1,14 vezes o risco para o infarto do miocárdio, mas sem  significância estatística.

Em um editorial do “The Lancet”, o Dr. Ravi Retnakaran, e o Dr. Bernard Zinman da Universidade de Toronto chegaram a conclusões semelhantes.

"Conclusões definitivas sobre a relação entre a rosiglitazona e a doença cardiovascular ainda permanecem confusas devido às limitações do estudo”, declararam os médicos.

O resultado da pesquisa clínica RECORD “Rosiglitazone Evaluated for Cardiac Outcomes and Regulation of Glycemia in Diabetes” adveio da avaliação de  4.447 pacientes portadores de diabetes tipo 2, de 338 centros de 23 países da Europa, Austrália e Nova Zelândia com 7 anos de acompanhamento.

O estudo foi autorizado em 1999 após a classe das tiazolidinedionas serem tidas como causa de retenção de líquido, e possivelmente de insuficiência cardíaca nos portadores de diabetes.

Os pacientes inscritos no estudo já estavam tomando a metformina, ou somente a sulfoniluréia  e apresentavam HbA1c média de 7,9%, os quais foram randomizados para adição de rosiglitazona   a seu regime ou adição da combinação metformina e sulfoniluréia.

Os pesquisadores descobriram em sua análise mais de  200% de risco aumentado para insuficiência cardíaca do que com placebo (HR 2,10; 95% CI 1,35 a 3,27).

Um composto de morte cardiovascular, AVC e infarto do miocárdio foi ligeiramente favorável à  rosiglitazona, mas não foi estatisticamente significativo, afirmaram os pesquisadores (HR 0,93, 95% CI 0,74 a 1,15).

A morte cardiovascular e de todas as causas, também favoreceu à droga, mas não houve diferença significativa nos resultados dos pacientes do controle (HR 0,84, 95% CI 0,59 a 1,18 e HR 0,86, 95% CI 0,68 a 1,08, respectivamente).

Os pesquisadores não acharam HbA1c melhorada no grupo rosiglitazona no ano 5 em comparação com a terapia de metformina e sulfoniluréia.

"Os médicos devem se sentir à vontade para prescreverem a rosiglitazona a seus pacientes," afirmou o Dr. Home. "Caso haja risco, este é baixo e não irá aumentar a taxa de fatalidade."

O Dr. Retnakaran e o Dr. Zinman abordaram os achados com cautela e observaram que uma declaração conjunta da ADA e da EASD recomendam o uso da pioglitazona ao invés da rosiglitazona para a classe de tiazolidinedionas.

Os médicos também afirmaram que os efeitos da pioglitazona e da rosiglitazona nos resultados  cardiovasculares serão avaliados no estudo de comparação direta “TIDE”.

O Dr. Basu, da Clínica Mayo, declarou que o estudo “basicamente confirma algumas das reservas que tem com esta classe – ou seja, que aumentam o risco de insuficiência cardíaca e de fratura" , e que em sua opinião há necessidade de se fazer um acompanhamento de longo prazo; entretanto, o Dr. Carl J. Lavie, do instituto “Ochsner Heart and Vascular Institute” afirmou que o estudo “fornece um grau de suporte à rosiglitazona, e que esta, provavelmente, não afeta de maneira relevante a saúde cardiovascular." ■

O estudo RECORD foi patrocinado pela GlaxoSmithKline.

 

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