Inúmeras são as complicações crônicas que o paciente diabético descompensado pode vir a apresentar, dentre elas as manifestações bucais tais como candidíase (“sapinho”), herpes (feridas nos lábios), xerostomia (boca seca), periodontite etc.
Sem dúvida, a periodontite, conhecida antigamente como piorréia, é a causadora de mais transtornos ao paciente diabético.
Segundo a “Diabetes Commission / 1997“ a doença periodontal é classificada como sendo a 6ª complicação crônica do paciente não compensado.
A periodontite é ocasionada pela associação entre má higienização (escovação) com fatores como mau posicionamento dos dentes (“encavalados”), contatos prematuros (um ou vários dentes se tocam antes do fechamento total da boca) ou ainda fatores genético.
Com evolução assintomática (sem dor), na grande maioria dos casos, a periodontite não acomete somente o paciente diabético mas também aqueles que não possuem, porém, no paciente diabético a evolução é muito mais rápida.
O início desta doença começa com a gengivite (inflamação na gengiva), ocasionando sangramento espontâneo ou quando do uso do fio dental ou na própria escovação.
Persistindo a gengivite, a inflamação irá progredir, acometendo mais profundamente a gengiva e envolvendo osso, ligamentos que sustentam o dente e o próprio dente, ocasionando assim a periodontite propriamente dita.
Os sinais típicos vão desde sangramento, com secreção de pus, sensação de crescimento do dente, mobilidade dental até a sua perda.
Para se evitar o aparecimento da periodontite, deve ser eliminado o fator local, ou seja, a placa bacteriana (biofilme), a qual é removida com uma boa escovação, uso de fio ou fita dental e visitas periódicas ao dentista.
Verificada qualquer alteração na boca (pequenos pontos de sangramento, sensação de dente crescido, dente mole, etc), o dentista deve ser consultado, para que possa impedir o avanço da doença periodontal e conseqüentemente deixar o sorriso saudável, evitando o início de uma descompensação do controle glicêmico.
Outro fator é a reabilitação protética, uma das últimas fases no tratamento odontológico. Antes desta fase devem ser observadas as condições da saúde bucal do paciente.
Principalmente no paciente diabético, deve-se atentar para a presença de doença periodontal ou de focos infecciosos (restos de raízes , abscessos, etc.).
Concluídos todos os tratamentos básicos que antecedem a reabilitação protética, pode-se lançar mão do planejamento protético.
A escolha do tipo de prótese e do material a ser utilizado está diretamente ligada ao caso clínico, pois devem ser respeitadas as condições de sustentação bucal para a reabilitação, vez que uma prótese mal adaptada, além de interferir na estética do paciente, poderá causar danos, quase sempre irreparáveis à saúde bucal.
Alguns cuidados quanto ao tipo de prótese devem ser observados. Muitas vezes o dentista necessita utilizar próteses provisórias para o início da reabilitação.
O caráter provisório das restaurações e coroas de quaisquer tipos não significa, de modo algum, descompromisso com a forma relacionada à função que devem desempenhar: Todos os requisitos da reconstrução unitária são absolutamente imperativos na confecção também dos provisórios.
Partindo do princípio de que só se pode atuar sobre um campo periodontal saudável, fica evidente que o papel dos provisórios é precisamente o da preservação do estado periodontal.
Uma vez concluída a reabilitação protética, independente do tipo de prótese utilizada, o paciente deverá seguir as recomendações do seu dentista quanto aos cuidados e técnicas de higienização, a inobservância desses quesitos básicos poderá levar não só a perda da prótese como o comprometimento da saúde bucal do paciente, gerando foco infeccioso, o que levará a uma alteração no controle glicêmico.
Outro assunto polêmico é a possibilidade do tratamento ortodôntico. Os cuidados para indicação do tratamento ortodôntico a pacientes portadores de diabetes são os mesmos adotados para pacientes que não possuem esta doença.
Devemos salientar que o fator idade não é uma contra indicação para a reabilitação ortodôntica, porém não devemos esquecer que antes do início do tratamento ortodôntico o paciente deverá passar por uma minuciosa avaliação da saúde bucal (cáries; gengivites- inflamação na gengiva; periodontites– evolução da gengivite levando a perdas ósseas ), pois caso esteja desfavorável será contra-indicado o uso de aparelho ortodôntico.
Os aparelhos de correção dentária (aparelho ortodôntico ) possuem a função de corrigir o mau posicionamento dos dentes e do processo de mordida. Os dentes e o aparelho devem estar sempre limpos.
Dr. Walmyr R. Mello
Diretor do DOANAD