A utilização de canetas de aplicação de insulina vem se constituindo numa prática cada vez mais frequente, tendo em vista a comodidade e a facilidade de aplicação com a utilização desse recurso. O presente estudo teve por objetivo avaliar os efeitos de dois métodos de aplicação de insulina glargina (canetas ou seringas) sobre o nível de controle glicêmico após seis meses de tratamento. O estudo também avaliou as preferências do paciente.

Os participantes do estudo tinham sido tratados com esquema basal-bolus de insulinoterapia e, por ocasião da alta, 21 pacientes receberam insulina glargina administrada por caneta de aplicação durante 3 meses, quando então o sistema de aplicação mudava para seringas de insulina, durante mais 3 meses (Grupo 1).

O Grupo 2 foi constituído por 10 pacientes que seguiram um caminho inverso, ou seja, iniciaram o tratamento com o uso de seringa nos primeiros 3 meses, passando para o uso de canetas nos 3 meses seguintes. Os níveis de A1C foram avaliados no início do estudo e depois de 3 e 6 meses de seguimento. Um questionário avaliando a preferência do paciente foi administrado no terceiro e, depois, no sexto mês.

Os resultados mostraram que ambos os grupos apresentavam um nível similar de A1C (entre 10,0% e 11,0%) no início do estudo e uma redução similar dos níveis de A1C após os primeiros 3 meses de tratamento (entre 7,3% e 7,8%). Após 6 meses de seguimento, os níveis de A1C no Grupo 1 mostraram um aumento para 8,5%, mas permaneceram inalterados no Grupo 2. Os questionários respondidos pelos pacientes após cada fase do estudo revelaram que a escolha preferencial recaiu sobre as canetas de aplicação em função de sua conveniência e facilidade de uso.

Em resumo, os pacientes que se utilizaram da caneta de injeção de insulina glargina, nos últimos 3 meses do estudo, atingiram níveis mais baixos de A1C após 6 meses de seguimento.

Fonte: 
Seggelke AS, Hawkins RM, Gibbs J et al. Effect of Glargine Insulin Delivery Method (Pen-Device vs. Vial-Syringe) on Glycemic Control and Patient Preferences in Patients With Type 1 and Type 2 Diabetes. Endocr Pract. 2014;20(6):536-9. doi: 10.4158/EP13404.OR.

 


 

 

Informações do Autor

Dr. Augusto Pimazoni-Netto
Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
E-mail: pimazoni@uol.com.br