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CUIDADO NUTRICIONAL NO DIABETES GESTACIONAL (DMG)
Fonte: Portal SBD
Notícia publicada em: 29.08.2014
Autor: Dra. Gisele Rossi Goveia

A nutrição adequada desempenha papel expressivo na saúde de todas as mulheres durante a gestação, pois a quantidade e qualidade nutricional  impactam também sobre o crescimento e desenvolvimento do feto. 


Está bem documentado a associação entre estado nutricional materno e ganho de peso durante este período, com prevalência de situações como diabetes, anemia e alteração da pressão arterial.


As mulheres que desenvolvem diabetes durante a gestação (DMG) apresentam risco elevado para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 posteriormente, sendo imperativo gerenciar este período através da mudança do estilo de vida.


A atenção global à gestante com diagnóstico de DMG é essencial para reduzir as possíveis complicações advindas desta condição clínica.


Este cuidado deve ser composto por orientação nutricional, prática de atividade física, controle metabólico, assistência pré-natal e avaliação do bem estar fetal, bem como avaliação da necessidade de insulinização ao longo do período.


Embora haja relativamente pouca informação disponível sobre recomendações nutricionais específicas para DMG, baseadas em evidências científicas, o estudo HAPO, demonstrou claramente que alterações metabólicas, mesmo que mínimas, se refletem negativamente e de forma contínua no bem-estar fetal e nas complicações maternas. 


 Sendo assim, a intervenção nutricional no Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) tem sido identificada como um ponto forte do tratamento, em todos os consensos internacionais, sendo considerada terapia de primeira escolha para 30-90% das mulheres diagnosticadas.


O cuidado nutricional no DMG tem como principal desafio equilibrar as necessidades de uma gravidez saudável e o excelente controle glicêmico.


Para tanto deve contemplar os objetivos para prover adequada nutrição materno-fetal e ganho ponderal recomendado, assim como atingir e manter o controle glicêmico, perfil lipídico e níveis pressóricos adequados. Deve ainda prover energia e nutrientes suficientes, evitar a produção de cetonas, e prevenir o desenvolvimento de DM tipo 2 pós-parto.


O estado nutricional da mulher, antes e durante a gestação, é decisivo para um resultado obstétrico favorável. 


A avaliação antropométrica deve ser realizada, inicialmente, pela determinação do Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional, que permite classificar o estado nutricional da gestante antes da concepção e identificar o ganho de peso adequado, segundo cada categoria de estado pré-gestacional. (tabela 1)


De acordo com o Institute of medicine (IOM), a determinação energética para gestantes com DMG, pode ser realizada através do cálculo de energia por quilograma de peso, considerando a avaliação antropométrica.


O total de energia deve cobrir os requisitos de nutrientes adequados ao período gestacional e para atingir as metas glicêmicas sem induzir a perda de peso ou ganho excessivo. 


Para as mulheres em sobrepeso e obesas com DMG, a modesta restrição de energia e carboidratos parece contribuir para melhora do controle metabólico, entretanto deve-se considerar o risco para cetonemia, monitorando-as frequentemente.


O equilíbrio, estabelecido a partir da adequada prescrição de macronutrientes e micronutrientes, deve ser personalizado e se fundamentar nos objetivos do tratamento.


O Food and Nutrition Board, Institute of Medicine recomenda que os carboidratos devam contribuir com 45-65% do valor energético total (VET) e reforça que não devem ser prescritas quantidades inferiores a 175 g de carboidratos por dia, por assegurar o desenvolvimento cerebral do feto.


Em relação às fibras as gestantes com DMG, devem ser incentivadas a optar por uma variedade de alimentos, tais como hortaliças, cereais integrais, frutas e grãos inteiros, pois também fornecem vitaminas, minerais, substâncias importantes para uma boa saúde. A recomendação é semelhante a população geral, de 20-35g/dia ou 14g/1000 kcal.


Quanto aos edulcorantes após rigorosa análise, o FDA aprovou o consumo de Acessulfame K, Aspartame, Sacarina Sódica, Sucralose e Neotame, considerando seu consumo seguro para o público em geral, incluindo pessoas com diabetes e mulheres durante a gestação, quando a ingestão diária aceitável (IDA) é respeitada.


A recomendação de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais para DMG é similar aquela indicada para as mulheres durante o período gestacional que não foram acometidas pelo diabetes.


 O plano alimentar deve ser fracionado, mantendo intervalos regulares, em torno de 5-6 refeições por dia, com objetivo de evitar hiperglicemias, hipoglicemias e cetose.


O plano de cuidado nutricional deve ser individualizado, buscando atingir  metas de tratamento e para tal deve considerar as necessidades nutricionais, ritmo de vida, hábitos e práticas alimentares, atividade física e medicamentos, quando necessários. 


O uso do gráfico de peso para gestante é uma excelente ferramenta para monitoramento do peso. Vale ressaltar a necessidade de avaliação contínua do plano de cuidado durante toda a gestação.


O Cuidado nutricional durante o DMG deve enfatizar escolhas alimentares saudáveis, aliadas ao incentivo de práticas alimentares que devem ser continuadas no pós-parto, contribuindo potencialmente para prevenção do DM 2.



Referências bibliográficas:


1. Metzer BD et al  Summary and recommendations of the Fith International Workshop-Conference on Gestational Diabetes Mellitus. DIABETES CARE, VOLUME 30, SUPPLEMENT 2, JULY 2007
2. The HAPO Study Cooperative Research Group. Hyperglycemia and Adverse Pregnancy Outcome. N Engl J Med. 2008;358:1991-2002
3. Diane M. Reader. Medical Nutrition Therapy and Lifestyle Interventions . Diabetes Care July 2007 vol. 30 no. Supplement 2 S188-S193
4. Scotland NE, Haas JS, Brawarsky P, Jackson RA. Body mass index, provider advice, and target gestational weight gain. Obstet Gynecol. 2005; 105(3):633-8.
5. Institute of Medicine. Weight gain during pregnancy: Reexamining the guidelines. May 2009
6. World Health Organization. Promoting optimal fetal development: report of a technical consultation. Geneva: WHO; 2006.
7. Ministério da Saúde. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada. Manual técnico. Brasília, 2006 Disponível em: http://www.saude.gov.br/
8. Food and Nutrition Board, Institute of Medicine: U.S. Dietary Reference Intakes: Energy, Carbohydrates, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids. Washington, DC, National Academies Press, 2002
9. Sociedade Brasileira de Diabetes. Princípios para orientação nutricional a pacientes com Diabetes Mellitus. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, AC Farmacêutica, Itapevi. SP 18-40, 2013/2014
10. American Diabetes Association. Nutrition recommendations and interventions for diabetes. Gestational diabetes mellitus. Diabetes Care. 2004; 27(Suppl 1):S88-90. doi: 10.2337/diacare. 27.2007.S88.



 

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