Pesquisadores Discutiram a Relação entre Diabetes e Câncer Durante Simpósio Conjunto no Congresso da ADA

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Fonte: 75th Scientific Sessions, Boston, 2015.

Reconheceu-se por muito tempo que o Diabetes está associado a câncer do esôfago, útero, colon, rim, mama e outros tecidos.

Uma nova pesquisa está começando a perceber essas relações e identificar os fatores que vinculam o Diabetes ao câncer.

Não está claro se as associações são casuais, mas abordar os fatores comuns pode limitar os riscos de desenvolver ambas as doenças. “Reconheceu-se por 20 anos que a obesidade aumenta a intensidade inflamatória no organismo”, disse Frank Thomas Wunderlich, PhD, Chefe de Obesidade e Câncer no Instituto Max Planck para Pesquisade Metabolismo em Colônia, Alemanha.

“Na obesidade, os mediadores inflamatórios na circulação são no mínimo duas a três vezes maiores que nos indivíduos com peso normal. Sabemos que a obesidade e a inflamação são fatores de desenvolvimento do Diabetes, e acreditamos que esses mesmos mediadores promovem a progressão do câncer”. Dr. Wunderlich foi um dos quatro apresentadores do Simpósio Conjunto ADA/EASD –

O que Movimenta a Relação entre Diabetes e Câncer?

A obesidade induz a inflamação, tensionando os tecidos adiposos, um processo que atrai células imunes que então produzem mediadores inflamatórios como IL6 e TNF, explicou Dr. Wunderlich.

Foi demonstrado que ambos estão envolvidos na progressão do tumor. “Nossos próximos passos são decifrar o mecanismo molecular e celular para melhor identificar quais mediadores em que tipos de célula levam mais diretamente à progressão do câncer”, acrescentou Dr. Wunderlich. “Nossa esperança é que quando entendamos esses caminhos em camundongos, os pesquisadores médicos possam identificar novos alvos de tratamento”. Dr. Wunderlich está trabalhando com John V. Reynolds, MCh, FRCSI, Professor de Cirurgia no Trinity College e St. James Hospital em Dublin, Irlanda.

O grupo de pesquisa de Dr. Reynolds tem desenvolvido um banco de dados clínicos e amostras de tecido de quase todos os pacientes no programa de cirurgia de câncer de Dublin. O banco de dados biológico inclui amostras da gordura subcutânea e visceral, sangue, tecido do fígado e do tumor de cada paciente. Dr. Wunderlich está utilizando esse material para desvendar as vias moleculares em modelos animais, enquanto o grupo do Dr. Reynolds está focado na vinculação de altera- ções na gordura, fígado e sangue de cada paciente, com alterações na biologia do tumor.

“Há inúmeras vias que vinculam obesidade com hormônios e inflamação, e como isso pode levar desenvolvimento do câncer em indivíduos que estão sob risco de câncer e a crescente incidência de câncer”, declarou Dr. Reynolds. “Muitos desses pacientes têm síndrome metabólica. Sabemos que algo está acontecendo na gordura visceral e tecido e órgãos relacionados, especialmente o fígado, que pode sustentar o crescente risco de câncer e ainda influenciar a biologia do câncer”.Uma das associações mais claras entre o Diabetes e o câncer é a esteatose hepática não alcoólica (NAFLD).

Dois terços dos pacientes com Diabetes crônica desenvolverão algum sinal de NAFLD, afirmou Fasiha Kanwal, MD, MSHS, Professor Associado de Medicina no Baylor College of Medicine. “Até um terço das pessoas desse país possuem alguma forma de esteatose hepática”, acrescentou Dr. Kanwal. “Há uma forte associação entre o fígado gorduroso e o câncer hepático, que é uma das causas de crescimento de morte por câncer nos Estados Unidos”.

Hoje, a hepatite C é a maior causa do câncer hepático. No entanto, uma nova geração de medicamentos oferece taxas de cura de mais de 90 por cento para a maioria das formas de câncer hepático. Isso deixa a esteatose hepática preparada para se tornar a causa número um de câncer do fígado. “O problema real é que o câncer hepático pode ser uma doença de aparência levemente benigna e pode ser facilmente subestimada”, disse Dr. Kanwal. “A menos que estejamos realmente prestando atenção e trabalhando para identificar aqueles com mais alto risco de esteatose hepática, perderemos pacientes demais.

Por isso é importante reconhecer a ligação entre Diabetes, esteatose hepática e câncer do fígado.

Mesmo que o risco individual seja pequeno, a quantidade de pessoas afetadas será grande, uma vez que a obesidade e o Diabetes continuam a crescer”.

As preocupações com câncer do fígado são especialmente agudas, uma vez que há uma possível relação causal entre Diabetes, esteatose hepática e câncer do fígado. Há uma relação causa-efeito entre a esteatose hepática alcoólica e o câncer do fígado que é mediado pela cirrose. Mas alguns pacientes progridem da esteatose hepática direto para o câncer, sem cirrose. “Isso sugere que há uma via diferente que costumamos visualizar com a esteatose hepática alcoólica”, disse Dr. Kanwal.

“O Diabetes pode ter participação na causa desse tipo de câncer hepático. Isso ainda é especulação, mas mesmo que não haja caminho causal do Diabetes ao câncer hepático, há uma associação muito forte que devemos reconhecer e dar seguimento”.

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