Público Geral

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Coisas que Você Precisa Saber para Tratar o Diabetes… Agora!

Recomendações do Departamento de Educação da ANAD

O Que Esperar de Cada Consulta :

Uma boa continuidade de atendimento é parte essencial da administração diabética. Isto significa consultas médicas regularmente marcadas e, às vezes, contato adicional. Se você iniciou a automonitorização glicêmica recentemente, por exemplo, ou teve uma modificação de tratamento, ou se o consultório médico é tão distante que dificulta sua ida até lá, talvez seu médico prefira comunicar-se por telefone ou através de fax ou e-mail entre as consultas. Esta comunicação pode incluir o relato de resultados dos testes glicêmicos caseiros, de modo que o médico possa ajudá-lo a fazer ajustes na medicação. É possível enviar estes dados por carta, fax ou email para poupar tempo. (Fornecer estas informações por telefone toma muito tempo e é fácil cometer erros aos anotar as informações). Por outro lado, muitos médicos não incentivam este contato entre as consultas, preferindo vê-lo cara a cara. Contudo, o Diabetes é tão complexo que algum tipo de contato – especialmente após uma grande modificação no plano de tratamento – costuma ser preciso. A ADA observa em seus Padrões de Atendimento que em algumas situações, como quando a pessoa começa a tomar injeções de insulina, o contato diário pode ser necessário até que o controle glicêmico do paciente melhore. Com uma mudança na dieta ou medicação oral, um contato semanal costuma ser suficiente.

Nota do Editor:

O ideal é ter o acompanhamento de um enfermeiro ou educadora em Diabetes para orientar estas adaptações.

A Frequência das Consultas:

Se você for tratado com insulina, a ADA sugere pelo menos quatro consultas anuais com seu médico. Caso não use insulina, duas a quatro consultas anuais é o recomendado, dependendo de como você está se saindo em suas metas de tratamento. Um contato mais frequente pode ser necessário caso não esteja conseguindo cumprir suas metas para a glicemia e pressão arterial ou se houver sintomas de complicações diabéticas. Seu médico ou outro profissional instrutor deve ter lhe ensinado como reconhecer problemas em controle glicêmico com base nos testes. Se houver qualquer preocupação com os resultados da auto-monitorização glicêmica, contate o médico ou um dos membros de sua equipe de apoio. É preciso criar um plano de ação para os problemas que exijam uma chamada à equipe médica. Exemplos disso são a presença de cetonas na urina, níveis glicêmicos constantemente acima 250 mg/dL ou uma pressão arterial acima de 160/100 mmHG. Tudo isso pode exigir um contato com o médico ou outros dos profissionais que o assistem.

Revisão do Programa:

Revisão do Controle Glicêmico.

A cada consulta você irá repetir alguns dos procedimentos da primeira. Isto inclui a discussão de qualquer episódio de hipoglicemia que tenha ocorrido, a frequência, causas e gravidade. Os resultados glicêmicos e a busca por um padrão de baixas e altas também devem ser discutidos em detalhes.

Considere a Computação :

Muitas empresas fabricantes de medidores de glicemia desenvolveram um programa de computador para identificar padrões nos níveis glicêmicos. Um programa destes consegue, por exemplo, descobrir um padrão de altos níveis glicêmicos antes do café da manhã. Algumas pessoas gostam de um gráfico heterogêneo que lhes informe quantos níveis glicêmicos de uma hora determinada do dia estão dentro, acima ou abaixo da meta. É possível que este tipo de programa se popularize com o tempo e que os dados dos medidores possam ser baixados, seja no consultório médico ou na casa do paciente.

Anote:

Ao revisar os resultados da automonitorização glicêmica, tente descobrir porque um nível glicêmico em particular estava fora do limite. Um dos grandes benefícios da auto-monitorização glicêmica é que ela possibilita a verificação do efeito de um tipo de alimento determinado ou exercício numa hora específica, uma mudança de medicação ou do nível de estresse. É melhor anotar estas informações, seja num caderno específico ou numa folha qualquer (a maioria dos programas de computador agora disponíveis não consegue registrar todos estes dados, então fica por sua conta).

Modificações de Tratamentos:

A cada consulta, é preciso discutir qualquer mudança que você queira ou precise fazer em seu plano de tratamento do Diabetes. Na maioria das vezes são modificações planejadas de medicação (especialmente insulina) devido a uma mudança de atividade, um jantar especial de celebração ou um resultado glicêmico anormal. Se você fez qualquer modificação no plano de tratamento desde a última consulta, este é o momento de falar a respeito. É difícil seguir à risca um plano de tratamento por uma série de razões. Depressão, tensão no trabalho ou qualquer exigência doméstica podem afetar o processo, portanto é importante mencioná-las ao médico. Ele poderá lhe indicar uma ajuda externa, seja de um nutricionista ou de um psicólogo. Problemas financeiros podem dificultar a compra dos medicamentos e suprimentos necessários e o médico deve ser capaz de mudar sua receita para uma medicação genérica, mais barata, ou indicá-lo a um assistente social para receber assistência financeira. Medicamentos e suprimentos variam enormemente de preço, portanto seu médico pode aconselhá-lo a pesquisar.

Discuta Qualquer Sintoma:

Discuta qualquer sintoma que possa sugerir desenvolvimento de complicações diabéticas.

Entre eles estão:

  • Uma mudança na visão – possível retinopatia ou catarata.
  • Inchaço dos tornozelos ou dores nos pés – possível nefropatia.
  • Dores no peito – possível doença cardíaca.

Fale ao médico caso tenha procurado algum outro especialista devido a qualquer problema, se tomou qualquer remédio e o nome deste.

Outras Preocupações de Saúde:

Se você tiver outros problemas de saúde além do Diabetes, é preciso conversar com o médico a respeito. Talvez você tenha um médico que atenda tanto seu Diabetes como outros problemas de saúde, ou talvez consulte um determinado profissional – um médico de família, por exemplo – para a maior parte do seu atendimento de saúde, mas vai a um endocrinologista para tratar do Diabetes. Se tiver mais de um médico, é importante que fique bem claro para todos quem faz o quê. Você pode ter um médico que lida com seu Diabetes, por exemplo, outro que receita remédios para a pressão alta e um terceiro que é responsável por vacinas de rotina. Isto pode ser problemático, pois muito frequentemente mais de um médico está receitando medicamentos diferentes para o mesmo problema. Ou então um médico receita um remédio que não deveria ser tomado como o receitado pelo outro. Uma droga pode interferir com os efeitos de outra ou causar uma interação perigosa. Mesmo que seu médico não lhe pergunte, mantenha-o sempre informado sobre qualquer medicação que esteja tomando. Algumas pessoas preferem levar todos os frascos de remédio que estejam tomando para a consulta. Todos os profissionais de saúde que o assistem precisam conversar entre si para as segurar-lhe o melhor atendimento possível. Na maioria das grandes clínicas, hospitais universitários ou certas organizações de manutenção da saúde, isto não deve ser problema, pois um prontuário médico é usado por todos os que ali trabalham.

O Exame Físico:

A ADA recomenda que parte dos exames físicos se repita em todas as consultas. Peso e pressão devem ser verificados, assim como a altura das crianças. Qualquer coisa que tenha se mostrado anormal em consultas anteriores precisa ser reexaminada. Na consulta anterior, por exemplo, o médico pode ter descoberto um grande calo na planta do seu pé e lhe disse mudar de calçados e usar uma pedra pomes com suavidade para tentar reduzir seu tamanho ou talvez tenha tratado uma infecção de pele com antibióticos. Agora, ele deverá verificar o calo ou certificar-se de que a infecção sumiu.

Pés:

Você deve examinar os pés todos os dias e o médico deve fazê-lo em cada consulta. Se o exame revelar má circulação, perda de sensação, deformações, ulcerações, ou infecções, seu médico pode indicar um especialista, um podiatra por exemplo. O médico ou profissional instrutor pode lhe explicar claramente como inspecionar os pés e como cuidar deles.

Olhos:

O médico deve verificar se sua retina apresenta retinopatia.

A ADA recomenda que um exame de fundo de olho seja feito anualmente por um oftalmologista ou optometrista em:

  • Todas as pessoas a partir dos dez anos de idade que estejam convivendo com o Diabetes por três a cinco anos.
  • Todos que tenham mais de trinta anos.
  • Qualquer paciente que tenha sintomas e/ou anormalidades visuais

O médico oftalmologista irá verificar a presença de catarata e glaucoma, assim como de retinopatia.

A perda de visão por causa do Diabetes pode ser resultado de qualquer dessas doenças. Os exames de visão anuais são cruciais, pois muitos problemas oculares , se detectados cedo, podem ser tratados. Entre todas as pessoas cegas dos Estados Unidos, 8% chegaram a esta condição devido ao Diabetes e aproximadamente 12% dos novos casos de cegueira têm esta mesma causa. O rastreamento e tratamento prematuro podem ajudar a salvar sua visão.

Exames de Laboratório Contínuos:

Os seguintes exames de laboratório são necessários regularmente:

1.Hemoglobina Glicada

Este exame verifica o controle glicêmico das últimas doze a dezesseis semanas . As pessoas tratadas com insulina devem fazer este exame quatro vezes por ano e as que não usam insulina, de duas a quatro vezes por ano ou com a frequência necessária para verificar o quanto estão próximas de suas metas glicêmicas . O nível de hemoglobina glicada pode ajudá-lo a sentir-se motivado e melhorar seu controle, pois lhe permite saber como estiveram os níveis glicêmicos por um período de semanas. Para melhor utilização desta informação, entretanto, você precisa saber dos resultados do exame durante ou logo após a consulta médica. (Se tiver de esperar três meses até sua próxima consulta, não será capaz de fazer o melhor uso deste exame importante). A maioria dos médicos usa um exame de hemoglobina glicada que fornece os resultados em menos de dez minutos. O sangue é tirado no início da consulta e os resultados estão disponíveis na hora em que vocês estiverem conversando sobre seu controle glicêmico.

2.Teste de Glicemia em Jejum

Este exame, feito no consultório médico ou no laboratório verifica a glicemia pela manhã, quando você está em jejum desde a noite anterior. Ele ajuda a determinar o controle diabético em pessoas com DM2, especialmente naqueles que não fazem a automonitorização da glicemia. Para os que fazem, é uma boa ideia verificar o nível glicêmico dentro de cinco minutos do exame feito no laboratório para verificar a precisão do medidor. Pode ser que você descubra, por exemplo, que seu medidor está lhe dando resultados mais elevados que os do laboratório. Se isto acontecer toda vez, você pode ajustar esta diferença quando fizer as verificações glicêmicas em casa.

3.Níveis Lipídicos (Gordura no Sangue)

Os níveis lipídicos merecem atenção especial dos diabéticos.

A ADA recomenda que os adultos que obtêm resultados anormais nos exames de lipídeos sejam examinados anualmente para verificar as seguintes gorduras sanguíneas:

• Colesterol total.

• Colesterol HDL (lipoproteína de alta densidade).

• Colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade).

• Triglicérides em jejum.

Se os seus níveis de lipídeos forem anormais – elevados em triglicérides, em LDL e colesterol total ou baixos em HDL – seu médico irá lhe recomendar mudanças na alimentação e, talvez, nos medicamentos. Seus níveis lipídicos devem ser testados à medida do necessário para ver se o tratamento está funcionando. Se os exames de lipídeos estiverem dentro dos níveis normais, é possível que você não precise fazer exames com tanta frequência. Se os níveis estiverem, fazê-los após os dois anos de idade. Se os níveis estiverem anormais ou limítrofes, o exame deveria ser repetido para que se tenha certeza dos resultados. Crianças com níveis lipídicos normais deveriam fazer outro exame em cinco anos.

4.Albumina na Urina

Grandes quantidades de albumina, um tipo de proteína, na urina pode indicar doença renal. Pessoas que já passaram da puberdade e que convivem com o DM1 no mínimo há cinco anos devem fazer este exame. Os que têm DM2 deveriam fazer exame logo após serem diagnosticados, pois é possível que tenham Diabetes há anos sem saber.

Plano de Administração:

Em cada consulta, revise seu plano de administração diabética para descobrir problemas e verificar seu progresso no cumprimento dos objetivos. Albumina na Urina Plano de Administração Para a maioria dos diabéticos, isto irá incluir uma revisão de:

  • Plano para o Diabetes (inclusive exercício físico).
  • Complicações.
  • Controle de pressão arterial.
  • Níveis lipídicos.
  • Frequência de hipoglicemia.

Talvez seja preciso procurar especialistas, como um endocrinologista para o controle do Diabetes, um oftalmologista para exame de visão ou um nefrologista para doença renal avançada. Suas técnicas em lidar com o Diabetes deveriam ser revistas uma vez por ano. Junto ao médico é preciso rever quaisquer medicamentos em uso, possíveis modificações na alimentação e programa de exercícios com base nos testes glicêmicos diários, os cuidados rotineiros dos pés, o planejamento alimentar, o tratamento da hipoglicemia e qualquer outro elemento de um tratamento bem sucedido do Diabetes.

Talvez nem todos os médicos possam oferecer um atendimento que cumpra os Padrões de Atendimento da ADA. As razões variam desde o paciente cujo plano de saúde não cobre a automoni-torização glicêmica ou a falta de um educador em Diabetes para instruir os pacientes, até a um médico que não seja experiente em todas as facetas do tratamento de um diabético.

Nestes casos, a ADA sugere que você procure um dos seguintes profissionais:

  • Um endocrinologista (um médico especializado em doenças do sistema endócrino, inclusive o pâncreas, que secreta insulina).
  • Uma equipe de tratamento liderada por um diabetologista (um endocrinologista especializado no tratamento do Diabetes).

Talvez não lhe peçam que procure um especialista, pois estes não se encontram em todas as comunidades. Além disso, seu médico pode não entender sua necessidade de procurar um. Em alguns planos de saúde, é bem possível que você seja o responsável pelo pagamento de um diabetologista. Caso precise consultar diversos médicos ou tenha sofrido complicações e a papelada do seguro saúde é esmagadora, talvez seja bom buscar a ajuda de um profissional que o assista em suas reivindicações.

Esta pessoa poderá:

  • Registrar suas revindicações junto a companhia de seguros.
  • Apelar reivindicações negadas.
  • Calcular o que deveria ser pago.
  • Procurar por erros nas notas e conseguir re-embolso do médico ou hospital.
  • Explicar-lhe a apólice de seguro.
  • Fornecer um resumo de suas despesas médicas para propósitos fiscais.

Certifique-se de que o profissional que contratar seja licenciado, vinculado ou assegurado.

 

Perguntas para Fazer ao Médico:

• Devo enviar-lhe os resultados da automonitorização glicêmica?

• Quais resultados da automonitorização glicêmica deveriam fazer com que eu o chamasse ou a outro profissional da equipe imediatamente? Quem deveria ser chamado?

• Onde posso encontrar um programa de computador que identifique os níveis glicêmicos da minha automonitorização? O que devo procurar em tal programa?

• A quem devo procurar se tiver uma dúvida? E se for num fim de semana?

• Há algo de novo no tratamento do Diabetes?

• O que devo fazer se quiser aumentar bastante meu programa de exercícios?

• Como posso manter meu plano alimentar quando comer fora? Ou quando for a uma festa?

• Preciso consultar um oftalmologista? Quem?

Perguntas que o Médico Pode lhe Fazer:

• Observou alguma mudança na visão? Sentiu dor no peito?

• Teve inchaço nos tornozelos?

• Sentiu dores nos pés ou mudanças em seu formato?

• Consultou algum outro médico?

• Está tomando alguma outra medicação?

• Consultou um oftalmologista?

• Aumentou (ou diminuiu) sua quantidade de exercício físico?

• Teve dificuldades em manter o plano de tratamento?

• Teve algum problema de hipoglicemia?

Fonte: ADA – American Diabetes Association.

Coordenação: Profa. Lilian Fanny Casilho
Colaboração: Pedagogas Maria Salete e Claudete Gioielli

 

—————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————-

A crise econômica e os impactos para os planos de saúde e para o SUS

Operadoras precisam se reinventar e oferecer opções mais enxutas, sem abrir mão da qualidade

Os planos de saúde são apontados como o terceiro item na lista dos desejos dos brasileiros, perdendo apenas para a casa própria e a educação, segundo pesquisa do Ibope Inteligência. Entretanto, apenas em 2015, cerca de 760 mil brasileiros tiveram que abrir mão desse sonho. A crise econômica, a alta da inflação e o grande número de demissões foram os maiores responsáveis pela perda do poder de consumo do brasileiro. Jovens, classes B e C e os portadores de planos empresariais foram os mais afetados.

Resultante disso, tivemos uma grande movimentação na saúde. Muitos brasileiros passaram a buscar opções mais em conta de seguros de saúde. São pessoas que foram demitidas e ficaram sem o benefício ou aquelas que não conseguiram mais arcar com o valor do plano antigo e que, já acostumadas a um serviço de qualidade, não querem abrir mão desse privilégio.

Para continuar tendo acesso a uma saúde melhor, porém precisando reduzir os custos, estão migrando para modalidades mais baratas e preferindo planos regionais aos nacionais. É a forma encontrada para enfrentar esse momento de crise. Para as operadoras, é uma oportunidade única que poucas estão sabendo aproveitar. É preciso se reinventar e oferecer opções mais enxutas, mas sem abrir mão da qualidade.

Estas empresas, ao receberem este novo cliente, que está acostumado a uma categoria de produto premium, terá a necessidade de se reinventar para poder fidelizá-lo. Se isto não ocorrer, há uma grande chance de quando houver a reversão da crise econômica, acontecer o sentido inverso da corrente atual.

Mas além dos que mudaram a cobertura do plano, ainda assim temos os 760 mil brasileiros que não puderam continuar pagando pela assistência privada. E para onde essas pessoas vão quando precisam? Não lhes resta outra opção a não ser recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, o sistema de saúde está recebendo quase um milhão de pessoas e tende a ficar cada vez mais sobrecarregado, comprometendo ainda mais a qualidade do serviço prestado.

Os planos de saúde, por sua vez, tentam sobreviver em um cenário econômico desfavorável. A inflação médica no Brasil, influenciada pelo surgimento de novas tecnologias, inclusão de novos procedimentos obrigatórios e o aumento da expectativa de vida da população, é uma das maiores do mundo. Mesmo assim, as operadoras de saúde possuem um reajuste máximo anual de 13,55% que é determinado pela ANS e que, via de regra, fica abaixo do necessário. Essa situação não é sustentável para as operadoras, em especial para as menores. É preciso uma reformulação nas regras impostas pela ANS ou veremos um inchaço ainda maior do SUS, decorrente da quebra dos planos de saúde.

Um cuidado grande que é preciso ter nesse momento é em relação às clínicas de saúde populares, que muitos estão buscando em alternativa aos planos de saúde. É preciso reforçar que as clínicas podem ser úteis em casos de pequena complexidade, para consultas de rotina. Mas a pessoa continuará sem cobertura para exames e internação. Observamos também que, para evitar gastos, muitos acabam protelando a ida ao médico, o que pode prejudicar e atrasar o tratamento em muitos casos. Ressalta-se também que as clínicas não são regulamentadas pela ANS, consequentemente não se pode garantir a qualidade dos serviços prestados. É preciso que exista também uma fiscalização nesse sentido.

 

Cadri Massuda é presidente da Abramge-PR/SC – Associação Brasileira de Medicina de Grupo.

Fonte: Artigos : Revista Hospitais Saúde  de 27/05/2016

————————————————————————————————————————————————————————————————————————

Como os aplicativos estão mudando a relação médico x paciente

Apps são uma maneira conveniente e prática de buscar informações e aconselhamento sobre questões de saúde. Tecnologia está resgatando a proximidade que a Medicina foi naturalmente perdendo para o ritmo acelerado da vida moderna.

apps medico

É impossível, hoje, imaginarmos nossa rotina sem tecnologia e internet. Tanto é que o bloqueio do aplicativo WhasApp, em dezembro do ano passado – mesmo sendo somente por 14 horas –, causou um grande rebuliço, não apenas porque as pessoas o usam para conversas pessoais, mas também em suas atividades profissionais, inclusive os médicos.

Imagine que uma pessoa está na mesa de cirurgia, pronta para ser operada, mas quando o médico pede o exame para fazer o procedimento com segurança, ela diz que o esqueceu em casa. Então, o profissional aconselha alguém da família da paciente a tirar uma foto do exame e enviar por WhatsApp, para não ter de cancelar o procedimento e gerar gastos extras. E assim tudo ocorre como foi previsto. Esse exemplo é real e provavelmente acontece com muita frequência.

Uma recente pesquisa da consultoria britânica Cello Health Insight apontou que 87% dos médicos no Brasil usam WhatsApp com pacientes, colocando o país em primeiro lugar nesse quesito, entre Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Estados Unidos e China. Em segundo ficou a Itália, com 61%. Na China, 50% dos médicos disseram usar o WeChat, uma versão local do aplicativo. Os países que tiveram menor índice foram Reino Unido, com 2%, e Estados Unidos, com 4%. A pesquisa completa, em inglês, pode ser conferida no link goo.gl/T5yhzO.

De acordo com o Dr. Daniel Branco, CEO do Medicinia – plataforma de comunicação em saúde –, é inegável que as novas tecnologias impactaram fortemente a área da saúde, mudando a maneira com que os médicos se relacionam com todo o ecossistema: processos, rotinas, equipamentos e, especialmente, pessoas – sejam colegas ou pacientes. “A tecnologia está resgatando a proximidade que a Medicina foi naturalmente perdendo para o ritmo acelerado da vida moderna. Nossos contatos ficaram muito restritos às paredes dos hospitais, clínicas e consultórios. A possibilidade de comunicação em tempo real trazida pelos aplicativos de mensagem se disseminou rapidamente. As pessoas provaram e aprovaram a ideia de poder estreitar remotamente os vínculos pessoais e profissionais. E não foi preciso muito tempo para que os pacientes passassem a convidar seus médicos para se conectarem por meio de aplicativos de bate-papo e redes sociais”, diz.

O estudo Cisco Customer Experience Report já registrava, em 2013, que 85% dos pacientes brasileiros entendiam que a comunicação online médico-paciente proporcionava um acompanhamento de saúde mais regular, e 97% deles ficavam satisfeitos com a possibilidade de se conectar online com seus médicos.

Segundo a Dra. Renata Velloso, coordenadora do programa de médicos embaixadores da plataforma Curely em todo o mundo, os aplicativos tem uma grande aceitação tanto no Brasil como no mundo, pois são a maneira mais conveniente e prática para buscar informações e aconselhamento sobre questões de saúde.

Ela lembra que o mercado global de telemedicina tem previsão de atingir 4.5 bilhões de dólares em 2018, sendo que nesse período o número de usuários de smartphones no mundo deve superar dois bilhões. No último ano, cerca de 62% dos usuários de smartphones utilizaram seu celular para buscar informações a respeito da sua saúde. Esses dados, mais a pesquisa inglesa sobre o uso do WhatsApp, demonstra que tanto médicos quanto pacientes acreditam que o celular pode ser uma ferramenta fundamental na atenção à saúde. “Em pouco tempo, com o desenvolvimento da tecnologia dos wearables, sensores ligados aos pacientes irão mandar automaticamente informações aos médicos que poderão ser usadas para benefício do próprio paciente e também terão um impacto enorme nas pesquisas. Na verdade, a revolução digital na saúde está apenas começando”, expõe.

Cuidados e entraves

Na opinião da Dra. Renata, a principal barreira ao crescimento do uso da tecnologia no Brasil na área é a regulamentação, pois o Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhece o atendimento médico que não seja presencial. “Mas já existem pesquisas que demonstram que a telemedicina é eficiente nos mais diversos ambientes e que tem um excelente grau de satisfação dos usuários. Para essa regulamentação mudar, é questão de tempo. Eu espero que aconteça rápido para que o Brasil não fique atrasado em relação ao que está sendo feito no resto do mundo”.

Ela acredita que, em vez de proibir, as entidades de classe deveriam regulamentar a telemedicina, a transmissão de dados e criar incentivos que levem às boas práticas médicas no mundo digital. “Um profissional que usa a tecnologia para informar seus pacientes e, com isso, consegue ter melhores resultados, seja em prevenção ou no tratamento de doenças, deveria ser premiado e não, punido”, acrescenta.

Outra preocupação apontada pela Dra. é em relação ao sigilo das informações que estão sendo transmitidas digitalmente. “O Whatsapp, por exemplo, pode ser muito conveniente, mas não foi criado para transmitir informações confidenciais, é necessário mais segurança. A regulamentação precisa resolver isso também, mas enquanto o CFM fecha os olhos para o que já está acontecendo em larga escala e apenas proíbe a comunicação digital, fica difícil corrigir esse tipo de problema”.

Neste ponto também toca o Dr. Daniel. O uso de ferramentas genéricas e redes sociais gera dificuldade na organização dos contatos, falhas na privacidade e potencial perda de conteúdo trocado nas conversas. “Em suma, um grande risco. A comunicação no setor segue regras muito específicas de segurança e privacidade, algo que os apps genéricos de mensagem não oferecem”, destaca.

De acordo com ele, a maior parte da comunicação formal dos hospitais é feita através de registros em prontuário; ou seja, se trata mais de um registro do que de uma comunicação. E os canais utilizados são apenas o telefone, o e-mail e apps genéricos de texto. “Em outras palavras, essas instituições ainda não levam o assunto a sério. Nada fica registrado, nada é monitorado. Com as metas de comunicação efetiva e segurança clínica das entidades de acreditação hospitalar, cada vez mais será necessário que os hospitais se formalizem neste aspecto, garantindo a curadoria e a segurança das informações”, opina.

Soluções

Em vista a esses problemas, foi criada a plataforma de comunicação em saúde Medicinia, que reúne mais de 6.000 médicos e pode ser utilizada por instituições de saúde e profissionais da área. Foi desenvolvida a partir de uma pesquisa com quase uma centena de médicos, demonstrando que ter um canal de comunicação direto, eficiente e seguro com o paciente era a maior necessidade.

“O Medicinia permite, por exemplo, a criação e o gerenciamento de grupos de discussão e o envio de alertas importantes, como notificação de laudos críticos, agenda de consultas e cirurgias, admissão e transferência e alta de paciente, entre outros. Além disso, possibilita gerenciar a execução de tarefas pelos diferentes membros das equipes multiassistenciais, tornando o hospital mais eficiente e produtivo”, explica o Dr. Daniel.

O Hospital e Maternidade São Cristóvão, em São Paulo (SP), e o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre (RS), adotaram o aplicativo para agilizar a comunicação nos processos de alta hospitalar. A ferramenta ajuda a diminuir o tempo de liberação de leitos, aumentando sua rotatividade e, consequentemente, a receita hospitalar. No Hospital Giovanni Battista, localizado no Mãe de Deus Center, os médicos recebem uma notificação quando o paciente chega e está apto à cirurgia, contribuindo para a organização do tempo do corpo clínico e gerando mais conveniência.

Outro exemplo é do HCor – Hospital do Coração, de São Paulo (SP), que usa o aplicativo com as funções de alertar e notificar os médicos do Pronto-Socorro sobre cada novo laudo retificado e crítico, ocasionando ganho em segurança clínica do paciente e na comunicação entre as áreas. “O Medicinia também é utilizado para enviar a agenda médica com antecedência para o profissional e ajudá-lo na organização do seu dia. No caso dos pacientes, o HCor registrava problemas de pessoas que compareciam sem o devido preparo para a o procedimento ou sequer apareciam nas consultas e exames. O hospital passou a enviar alertas e notificações, o que diminuiu o no-show”, conta.

Dr. Daniel descreve, ainda, que ao lançar as funcionalidades da plataforma, a equipe teve o cuidado de seguir regras de segurança internacionais – como a norma americana HIPAA – e os preceitos da ética médica. Inclusive, contam com a consultoria do Prof. Dr. Max Grinberg, membro do conselho de bioética do Cremesp – Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e do Incor. Dr. Max afirma que aplicativos de comunicação próprios para a área são mais efetivos que o telefone e permitem um olhar mais próximo sobre a evolução do tratamento, direcionando para um aconselhamento quanto ao tipo mais conveniente de atendimento sequencial ou complementar. “É essencial, no entanto, que a ferramenta seja utilizada de modo seguro, respeitoso e dentro dos limites éticos da Medicina para que a experiência seja boa para todos”, ressalta.

A mais recente novidade no uso do Medicinia é a opção de o médico cobrar pelo tempo que dedica ao acompanhamento do paciente após a consulta, o que abre possibilidade para um novo modelo de atendimento. “É importante notar que a consulta pela internet ou por aplicativos esbarra no código de ética brasileiro. O Medicinia não é uma plataforma de consultas online, mas, sim, uma ferramenta desenvolvida para acompanhamento médico continuado, prático e seguro dos pacientes, que deve ser sempre iniciado após a consulta presencial”, salienta o Dr. Daniel.

Para ele, o Brasil está muito atrasado com relação a aplicativos específicos para a área. Em países como Estados Unidos e Alemanha, onde o Medicinia também atua, a relação entre instituições de saúde, médicos e pacientes por e-mail, SMS, WhatsApp e outros canais genéricos de comunicação está fora de cogitação. No caso dos hospitais acreditados pela Joint Commission International, há ainda a preocupação com comunicação efetiva, ou seja, não basta que a informação vá de “A” a “B”, é preciso se certificar de que “B” recebeu a mensagem, entendeu e deu retorno. “São controles de fluxo de informação que nenhuma ferramenta genérica de comunicação oferece”.

Outro aplicativo específico para o setor é o Curely, que tem como objetivo conectar médicos e pacientes ao redor do mundo. Fundada pelos médicos Christian Assad e Paul Lee e pelo empreendedor Joshua Hong, possui cerca de 1.400 médicos de 36 países diferentes.

A Dra. Renata explica que o Curely é especialmente atraente para viajantes e pessoas que emigraram para outros países e que preferem ter suas dúvidas de saúde respondidas por profissionais que falam a sua língua e conhecem sua cultura.

Os médicos entram no aplicativo e criam um perfil onde colocam sua formação e especialidades. Eles controlam a página pessoal podendo estipular o preço para responder às perguntas bem como a sua disponibilidade. Para garantir a idoneidade dos profissionais, eles precisam mandar cópia da licença ao se cadastrarem, o Curely conta com uma equipe responsável pela checagem e veracidade das informações.

Quando um paciente tem uma pergunta a respeito da sua saúde, pode escolher o médico para endereçar a dúvida. É como se fizesse a pergunta no Google, mas em vez de obter uma resposta escrita por uma pessoa qualquer, sabe que está recebendo a informação diretamente de um médico. Além disso, o usuário pode filtrar a sua busca por especialidade, país, idioma, preço e pelos reviews.

O aplicativo não contraria as regras do CFM porque tem caráter educativo e não é uma consulta. “O médico não pode fazer um diagnóstico ou prescrever qualquer medicamento através da ferramenta. O que se está disponibilizando é uma central de dúvidas respondidas por profissionais qualificados”.

Outra vantagem é que a tecnologia foi criada para utilizar o mínimo de banda de dados possível, podendo ser usada mesmo em lugares com baixa qualidade de internet. “Os médicos podem usar o Curely nas horas vagas e, com isso, expandir o alcance dos seus conhecimentos para pessoas que normalmente não teriam acesso a ele”, explica.

Dra. Renata acrescenta que é preciso ser muito cauteloso e não colocar o paciente em risco, por outro lado, ampliar o acesso aos profissionais é fundamental. “Faltam médicos no mundo todo e, na realidade, nunca haverá o suficiente. A tecnologia pode ser uma aliada importante para cobrir esse buraco. O celular está disponível praticamente no mundo todo e através dele podemos criar uma medicina sem fronteiras e muito acessível”.

Se o Curely não equivale a uma consulta, ou seja, os profissionais não podem dar diagnóstico ou receitar medicamentos, qual sua real importância para os pacientes? A médica explica que existe uma correlação importante entre educação, informação e conhecimento com bons resultados no tratamento e na prevenção de doenças. O paciente bem informado torna-se sujeito ativo quando o assunto é a sua própria saúde, o que é extremamente importante. “Acredito que partirá dos pacientes a evolução que tanto precisamos no setor. Com isso, há uma mudança de paradigma: os médicos deixam de ter uma posição paternalista e de donos da verdade e passam a ser parceiros dos pacientes. Aplicativos como o Curely são fundamentais nessa mudança porque empoderam o paciente, permitindo a ele ter no próprio bolso uma linha de contato direto e instantâneo com um profissional, o que lhe dá poder sem precedentes sobre a sua saúde”, ressalta.

 

Fonte: Portal Revista Hospitais Brasil – Notícias por Carol Gonçalves de 09/03/2016

———————————————————————————————————————————————————————————————————————————

 

Saúde: um Retrato do Brasil

Um dos maiores desafios é buscar a integração entre o público e o privado, de forma a fortalecer o SUS.

Não é de hoje que a área de saúde no Brasil dá provas de saturação. Os alertas, reclamações e denúncias por parte da população sobre a rede estadual de saúde do Rio de Janeiro mostram um dos exemplos mais bem acabados de como a ineficiência e as falhas de gestão podem repercutir perversamente na qualidade de vida dos usuários do sistema público, que sofrem pelo descaso e total falta de atendimento. Hoje, não conseguimos sequer proporcionar atendimento básico para os 150 milhões de brasileiros que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

Lamentavelmente, a saúde não é – e não tem sido nas últimas décadas – prioridade para os nossos governantes, embora o tema surja de forma pontual em todas as campanhas eleitorais, como meio de alavancar as pesquisas de opinião e de intenção de votos, ao atender virtualmente as expectativas da população. O desinteresse pela saúde é tão grande que nas últimas eleições presidenciais poucos candidatos tinham alguma proposta minimamente consistente para a melhoria do setor. Pior ainda, mostraram interesse muito reduzido pelo estudo realizado e entregue pessoalmente por representantes dos hospitais privados, de forma espontânea, contendo propostas viáveis para a sustentabilidade do sistema brasileiro de saúde.

A verdade é que, diferentemente de outros setores da economia, a saúde é fragmentada, falta diálogo e vontade dos atores envolvidos para mudar este cenário. Um dos nossos maiores desafios é buscar a integração entre o público e o privado, de forma a fortalecer o SUS. A convergência dos encaminhamentos feitos por essas duas esferas, no preparo de suas políticas e estratégias, é fundamental neste processo. E os objetivos mandatórios devem prever a sustentação econômica do sistema, a melhora do atendimento ao beneficiário do SUS e da saúde privada, assim como a garantia da acessibilidade e a satisfação do usuário.

A precariedade das condições de saúde no Rio de Janeiro, justamente no ano em que está no foco do mundo, em razão dos Jogos Olímpicos, expõe uma realidade que se repete em todo território nacional, especialmente nas regiões menos privilegiadas. Hoje, já se fala em reduzir e até acabar alguns programas sociais voltados para a saúde, como a Farmácia Popular.

A limitação de recursos é um fato inegável, agravada pela maior crise econômica dos últimos anos e pela redução dos investimentos. Mas, pior do que a falta de recursos é o mau uso do dinheiro público – que nada mais é do que dinheiro de toda a sociedade. Deveria ser do conhecimento das autoridades governamentais um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que aponta uma perda de 20 a 40% das verbas destinadas à saúde em decorrência de desperdício, ineficiência, erros médicos e operacionais, procedimentos e equipamentos inadequados, falta de treinamento dos profissionais e a má gestão administrativa, além – é claro – da corrupção denunciada diariamente pela imprensa.

A recuperação dessa perda já seria suficiente para tirar parte dos hospitais públicos do fundo do poço. Mas, não é tudo. O estrago que os nossos governantes estão fazendo com a saúde pública começa a ameaçar também o setor privado por conta de algumas medidas econômicas, tais como a elevação das taxas de juros e a alta do dólar que se refletem na elevação dos custos dos hospitais privados e inviabilizam os novos investimentos. Ou seja, a situação é ruim para os setores público e privado. Todos saem perdendo, especialmente em meio a um momento econômico delicado para o país, como o que vivemos atualmente.

Hoje, ainda somos dependentes da importação em quase 30% dos nossos medicamentos e insumos. Como resultado, os hospitais privados apresentaram em 2015 – pela primeira vez nos 10 últimos anos – uma queda em sua receita líquida. O que é não deixa de ser preocupante para os empresários e também para os usuários, diante do caos da saúde pública.

A situação é agravada pelos 450 mil cidadãos que perderam seus planos de saúde no último ano, por conta do aumento do desemprego. Além de reduzir ainda mais a receita no setor privado, é certo que esses ex-beneficiários contribuirão para inchar ainda mais a já combalida estrutura de atendimento do SUS, em um momento bastante crítico.

O retrato que a saúde nos mostra do Brasil é muito ruim – e, se nada for feito, pode piorar.

Fonte: Portal Revista Hospitais Brasil – Artigos de 24/02/2016

Dr. Francisco Balestrin é Presidente do Conselho da Anahp – Associação Nacional de Hospitais Privados, Presidente eleito da Associação Mundial de Hospitais (IHF), vice-presidente executivo e Diretor Médico Corporativo do Grupo VITA

———————————————————————————————————————————————————————————————–
————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————

Higienização das Mãos em Serviços de Saúde

 

Fonte: ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária.

Em 1946, Ignaz Semmelweis, médico húngaro, reportou a redução no número de mortes maternas por infecção puerperal após a implantação da prática de higienização das mãos, em um hospital em Viena. Desde então, esse procedimento tem sido recomendado como medida primária no controle da disseminação de agentes infecciosos.

A legislação brasileira, por meio da Portaria nº. 2616, de 12 de maio de 1998, e da RDC nº. 50, de 21 de fevereiro de 2002, estabelece, respectivamente, as ações mínimas a serem desenvolvidas com vistas à redução da incidência das infecções relacionadas à assistência à saúde e as normas e projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Esses instrumentos normativos reforçam o papel da higienização das mãos como ação mais importante na prevenção e controle das infecções em serviços de saúde. Entretanto, apesar das diversas evidências científicas e das disposições legais, nota-se que grande parte dos profissionais de saúde ainda não segue a recomendação de Semmelweis em suas práticas diárias.

A organização Mundial de Saúde (OMS), por meio da Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, também tem dedicado esforços na elaboração de diretrizes e estratégias de implantação de medidas visando à adesão à prática de higienização das mãos.

O que é Higienização das Mãos?

É a medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções relacionadas à assistência à saúde. Recentemente, o termo “lavagem das mãos” foi substituído por “higienização das mãos” devido à maior abrangência deste procedimento. O termo engloba a higienização simples, a higienização anti-séptica, a fricção anti-séptica e a anti-sepsia.

Por que Fazer?

As mãos constituem a principal via de transmissão de microrganismos durante a assistência prestada aos pacientes, pois a pele é um possível reservatório de diversos microrganismos, que podem se transferir de uma superfície para outra, por meio de contato direto (pele com pele), ou indireto, através do contato com objetos e superfícies contaminados. A pele das mãos alberga, principalmente, duas populações de microrganismos: os pertencentes à microbiota resistente e à microbiota transitória.

A microbiota resistente é constituída por microrganismos de baixa virulência, como estafilococos, corinebactérias e micrococos, pouco associados às infecções veiculadas pelas mãos. É mais difícil de ser removida pela higienização das mãos com água e sabão, uma vez que coloniza as camadas mais internas da pele. A microbiota transitória coloniza a camada mais superficial da pele, o que permite sua remoção mecânica pela higienização das mãos com água e sabão, sendo eliminada com mais facilidade quando se utiliza uma solução anti-séptica. É representada, tipicamente, pelas bactérias Gran-negativas, como enterobactérias (Ex.: Escherichiacoli), bactérias não fermentadoras (Ex.: Pseudômonas aeruginosa), além de fungos e vírus.

Os patógenos hospitalares mais relevantes são: Staphylococcus aereus, Staphylococcus epidermidis, Enterococcus spp., Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella spp., Enterobacter spp. e leveduras do gênero Candida.

As infecções relacionadas à assistência à saúde geralmente são causadas por diversos microrganismos resistentes aos antimicrobianos, tais como. S. aureus e S. epidermidis, resistentes a oxacilina/ meticilina; Enterococcus spp., resistentes a cefalosporinas de 3ª geração e Pseudomonas aeruginosa, resistente a carbapenêmicos. As taxas de infecções e resistência microbiana aos antimicrobianos são maiores em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), devido a vários fatores: Maior volume de trabalho, presença de pacientes graves, tempo de internação prolongado, maior quantidade de procedimentos invasivos de antimicrobianos.

Para que Higienizar as Mãos?

A higienização das mãos apresenta as seguintes finalidades:

• Remoção de sujidade, suor, oleosidade, pêlos, células descamativas e da microbiota da pele, interrompendo a transmissão de infecções veiculadas ao contato. Prevenção e redução das infecções causadas pelas transmissões cruzadas.

Quem Deve Higienizar as Mãos?

Devem higienizar as mãos todos os profissionais que trabalham em serviços de saúde, que mantém contato direto ou indireto com os pacientes, que atuam na manipulação de medicamentos, alimentos e material estéril ou contaminado.

Como Fazer? Quando Fazer?

As mãos dos profissionais que atuam em serviços de saúde podem ser higienizadas utilizando-se: Água e sabão, preparação alcoólica e anti-séptico.

A utilização de um determinado produto depende das indicações descritas abaixo:

Uso de Água e Sabão Indicação

• Quando as mãos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sangue e outros fluídos corporais.

• Ao iniciar o turno de trabalho.

• Após ir ao banheiro.

• Antes e depois das refeições.

• Antes de preparo de alimentos.

• Antes de preparo e manipulação de medicamentos.

• Nas situações descritas a seguir para preparação alcoólica.

Uso de Preparação Alcoólica Indicação

Higienizar as mãos com preparação alcoólica quando estas não estiverem visivelmente sujas, em todas as situações descritas a seguir.

Antes do Contato com o Paciente Objetivo:

Proteção do paciente, evitando a transmissão de microrganismos oriundos das mãos do profissional de saúde. Exemplos: Exames físicos (determinação do pulso, da pressão arterial, da temperatura corporal); contato físico direto (aplicação de massagem, realização de higiene corporal); e gestos de cortesia e conforto.

Após Contato com o Paciente Objetivo:

Proteção do profissional e das superfícies e objetos imediatamente próximos ao paciente, evitando a transmissão de microrganismos do próprio paciente.

Antes de Realizar Procedimentos Assistenciais e Manipular Dispositivos Invasivos Objetivo:

Proteção do paciente, evitando a transmissão de microrganismos oriundos das mãos do profissional de saúde. Exemplos: Contato com membranas mucosas (administração de medicamentos pelas vias oftálmicas e nasal); com pele não intacta (realização de curativos, aplicação de injeções); e com dispositivos invasivos (cateteres intravasculares e urinários, tubo endotraqueal).

Antes de Calçar Luvas para inserção de Dispositivos Invasivos que Não Requeiram Preparo Cirúrgico Objetivo:

Proteção do pacientes, evitando a transmissão de microrganismos oriundos das mãos do profissional de saúde. Exemplo: Inserção de cateteres vasculares periféricos.

Após Risco de Exposição a Fluídos Corporais Objetivo:

Proteção do profissional e das superfícies e objetos imediatamente próximos ao paciente, evitando a transmissão de microrganismos do paciente a outros profissionais ou pacientes.

Ao Mudar de Um Sítio Corporal Contaminado para Outro, Limpo, Durante o Cuidado ao Paciente Objetivo:

Proteção do paciente, evitando a transmissão de microrganismos de uma determinada área para outras áreas de seu corpo. Exemplo: Troca de fraldas e subsequente manipulação de cateter intravascular. Ressalta-se que esta situação não deve ocorrer com frequência na rotina profissional. Devem-se planejar os cuidados ao paciente iniciando a assistência na sequência: Sítio menos contaminado para o mais contaminado.

Após Contato com Objetos Inanimados e Superfícies Imediatamente Próximas ao Paciente Objetivo:

Proteção do profissional e das superfícies e objetos imediatamente próximos ao paciente, evitando a transmissão de microrganismos do paciente a outros profissionais ou pacientes. Exemplo: Manipulação de respiradores, monitores cardíacos, troca de roupas de cama, ajuste da velocidade de infusão de solução endovenosa.

Antes e Após Remoção de Luvas Objetivo:

Proteção do profissional e das superfícies e objetos imediatamente próximos ao paciente, evitando a transmissão de microrganismo do paciente a outros profissionais ou pacientes. As luvas previnem a contaminação das mãos dos profissionais de saúde e ajudam a reduzir a transmissão de patógenos. Entretanto, elas podem ter microfuros ou perder sua integridade sem que o profissional perceba, possibilitando a contaminação das mãos.

Outros Procedimentos

IMPORTANTE

• Use luvas somente quando indicado.

• Utilize-as antes de entrar em contato com sangue, líquidos corporais, membrana mucosa, pele não intacta e outros materiais potencialmente infectantes.

• Troque de luvas sempre que entrar em contato com outro paciente.

• Troque também durante o contato com o paciente se for mudar de um sítio corporal contaminado para outro, limpo, ou quando esta estiver danificada.

• Nunca toque desnecessariamente superfície e materiais (tais como telefones, maçanetas, portas) quando estiver com luvas. Observe a técnica correta de remoção de luvas para evitar a contaminação das mãos.

Lembre-se: O uso de luvas não substitui a higienização das mãos!

Uso de Anti-Sépticos Estes produtos associam detergentes com anti-sépticos e se destinam à higienização anti-séptica das mãos e degermação da pele.

Indicação Higienização anti-séptica das mãos

• Nos casos de precaução de contato recomendamos para pacientes portadores de microrganismos multirresistentes.

• Nos casos de surtos. Degermação da pele

• No pré-operatório, antes de qualquer procedimento cirúrgico (indicado para toda equipe cirúrgica).

• Antes da realização de procedimentos invasivos. Exemplos: Inserção de cateter intravascular central, punções, drenagens de cavidades, instalação de diálise, pequenas suturas, endoscopias e outros.

IMPORTANTE

De acordo com os códigos de ética dos profissionais de saúde, quando estes colocam em risco a saúde dos pacientes, podem ser responsabilizados por imperícia, negligência ou imprudência.

 

—————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————-

Se teus planos são de um ano, planta um grão,

Se teus planos são de dez anos, plante uma árvore,

Se teus planos são de cem, educa um povo…

(C. Elizando)

Da antiguidade nos vem mensagem tão sábia!

Pois é, a Educação é o bem maior que se pode transmitir, receber… ter.

Sem educação não podemos prosseguir, não podemos mudar, nem melhorar, nem alterar situações e nem corrigir erros.

A educação é necessária no crescimento da criança para identificar e trilhar os bons caminhos da vida.

É necessária na juventude para fazer as boas escolhas.

Na idade adulta para transmitir aos mais jovens e na idade madura para ter a compreensão da realidade da vida.

Um povo educado é um povo feliz porque está capacitado a fazer escolhas corretas e também está apto a ser justo, a viver em paz e harmonia, a respeitar o direito do próximo.

A pessoa educada sabe ouvir, ponderar e devolver a palavra certa.

A ANAD tem procurado sempre trilhar este caminho levando educação em saúde e em especial em Diabetes, a todos que dela se aproximam, seja na nossa sede, através do rádio, TV, site, revistas, Campanhas Públicas ou Congressos.

A educação em saúde faz com que a pessoa mude seus hábitos, se conscientize, se cuide, respeite seu corpo, faça seus exames frequentemente, tome sua medicação conforme foi receitada, visite seu médico periodicamente, se alimente de maneira saudável, pratique atividade física, não fume ou beba, durma o necessário, tenha lazer, enfim leve uma vida saudável. E dessa forma que conviva bem com o Diabetes, previna o aparecimento das complicações e o mais importante,

Seja FELIZ !

Um grande abraço,

Profº. Dr. Fadlo Fraige Filho

Presidente ANAD – FENAD

Titular Endocrinologista Fac. Med. FMABC

Member IDF Task Force Insulin

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.