Endocrinologia: O Assassinato de Uma Especialidade

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Há décadas ouço ser propagado o conceito de que os endocrinologistas são em número reduzido.

A especialidade, é sem dúvida, uma das fundamentais dentro da medicina, o que é comprovado pela extensão e amplitude de muitas doenças de alta prevalência populacional e a inter-relação com quase todas as outras especialidades médicas.

Se bem avaliarmos, a endocrinologia está presente em todas as especialidades, pois como sabemos não é apenas o estudo de um órgão ou de algumas doenças, mas sim do reflexo em todo o organismo, do sistema endócrino.

Considerando a sua complexidade e as dificuldades clínicas que este fato impõe, na prática médica, pensava-se que o número pequeno de médicos especialistas fosse por estas razões. Muito pelo contrário. Verificamos que há mais de 10 anos, a especialidade desperta o interesse e o desafio de grande parte dos médicos que terminam a residência de clínica médica e que se lançam na residência e cursos da especialidade e ao final de 5 anos de formados uma minoria, (cerca de 25 a 30% apenas) recebe o título de especialista da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

O elitismo das provas de seleção, preparadas de forma a selecionar apenas os ótimos, deixa no mínimo 30 à 40% de profissionais que dariam bons médicos especialistas, de fora da área.

O problema é o enfoque do mais importante, o enfoque do prioritário, que na prática da especialidade é o reconhecimento, o diagnóstico e o tratamento das doenças endocrinológicas.

Desviado desse rumo clínico, o elitismo das provas de seleção, baseados em filigramas metabólicas e moleculares, que em verdade tem pouca importância na boa prática da especialidade no dia a dia, tem frustrado anualmente, a vida de centenas de médicos, que mesmo preparados para a especialidade para a qual estão aptos, por não terem reconhecimento oficial.

Nestas circunstâncias, não podem se credenciar nem em hospitais, nem em convênios. Aprovando menos especialistas a cada ano, a comissão do T.E.E.M. da SBEM, vem endossando o que tem ocorrido na prática médica, que é o avanço das especialidades afins no mercado de trabalho, com o apoio das Sociedades de outras especialidades e da Indústria Farmacêutica.

As tentativas são inúmeras e os exemplos estão aí para ser vistos:

No passado, transferência do metabolismo lipídico para a cardiologia.

Metabolismo ósseo e sua principal doença, a osteoporose, para reumatologia e ginecologia.

Nas doenças da tiroide avançam a ginecologia e a clínica médica.

E nos últimos anos a cardiologia tem avançado, com o apoio da Indústria Farmacêutica, sobre o Diabetes que é a própria doença que representa a endocrinologia.

Isto por interesses econômicos, na disputa do mercado de trabalho tendo em vista a alta prevalência populacional do Diabetes.

Senhores líderes da Endocrinologia, acordem porque nossa especialidade, está sendo transferida para outras e consequentemente caminha para a extinção de sua importância.

Reajam, mudem esta realidade enquanto é tempo, para que nossa especialidade não seja assassinada por uma minoria elitista, vamos agir nos diferentes fronts, da mudança nos critérios do T.E.E.M, até a formação de maior número de especialistas e na atuação nos Congressos, Simpósios e Indústria Farmacêutica.

Atenciosamente,

Prof. Dr. Fadlo Fraige Filho Presidente ANAD – FENAD

Titular Endocrinologista Fac. Med. FMABC

Member IDF Task Force Insulin

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